quinta-feira, 8 de junho de 2017

E-book ensina cidadãos a conservar a biodiversidade em centros urbanos


E-book ensina cidadãos a conservar a biodiversidade em centros urbanos

Para celebrar o Dia Internacional do Meio Ambiente, dia 5 de junho, a Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A.), com apoio do Instituto Biológico de São Paulo, lança o e-book “Biodiversidade em ação: conservando espécies nativas – Corredores ecológicos urbanos… seguindo a trilha da jataí em São Paulo”, das pesquisadoras Isabel Cruz Alves, Marilda Cortopassi-Laurino e Vera Lucia Imperatriz-Fonseca.

A obra é um guia prático para orientar cidadãos de centros urbanos que queiram promover corredores de plantas destinados a conservar a biodiversidade local, denominados corredores ecológicos urbanos. Estes espaços são compostos por vegetações de diferentes características (arbustos, árvores) que fazem a conexão entre áreas naturais ou seminaturais, auxiliando na sobrevivência de muitas espécies, isoladas umas das outras pelas construções urbanas.

“Essas áreas verdes possibilitam a sobrevivência dos animais que as polinizam e os que dispersam suas sementes, num ciclo de ajuda mútua bom para todos”, explica Isabel Cruz Alves, que concebeu e organizou a obra.

De olho na jataí

O e-book aponta dois caminhos principais para quem quer ajudar a conservar biodiversidade que ainda resiste à expansão dos centros urbanos.

Um deles é plantando ou cuidando das plantas nativas, que são ideais para a sobrevivência de animais polinizadores (que transportam o pólen, como as abelhas), e animais dispersores (que levam as sementes, como as aves).

Outro caminho é por meio da conservação da abelha jataí (Tetragonisca angustula), uma espécie sem ferrão inofensiva ao homem, por isso mesmo, ideal para áreas urbanas, e que são excelentes polinizadoras. O livro traz detalhes sobre as abelhas e ensina como identificar e proteger ninhos de jataís.

biodiversidade em centros urbanos: descobrindo ninhos de jataí nas redondezasPara ajudar na prática quem quer colaborar para a conservação da fauna e flora locais, o e-book inclui:

  • Guia com informações de plantio e cuidado de 26 espécies de plantas nativas da Mata Atlântica e do Cerrado
  • Orientações de como localizar ninhos de jataís
  • Relação de animais polinizadores e dispersores de sementes
  • Dicas de leitura e localização dos viveiros municipais de São Paulo (para retirada de mudas)


Para todo o Brasil

“O livro foi pensando para o público paulistano, mas, na realidade, é útil para cidadãos de qualquer cidade, pequena, média ou grande, localizadas no bioma do Cerrado ou da Mata Atlântica”, explica Ana Lucia Delgado Assad, diretora-executiva da A.B.E.L.H.A.. “E a jataí está presente em quase todo território nacional”, completa.

“Biodiversidade em ação: conservando espécies nativas” é a terceira publicação lançada pela A.B.E.L.H.A. neste ano. Ele foi precedido por “A história natural ilustrada de um polinizador: a abelha mamangava Xylocopa frontalis” e pela versão em português de “Soja e Abelhas”, publicado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Baixe gratuitamente o e-book “Biodiversidade em ação: conservando espécies nativas – Corredores ecológicos urbanos… seguindo a trilha da jataí em São Paulo”.

Para baixar o e-book, clique aqui.

Fonte: Site A.B.E.L.H.A. (aqui)

quarta-feira, 7 de junho de 2017

O uso consciente da água é uma questão global



(Brasília, 05/06/2017) – Você faz ideia da importância da água para a vida e para a economia do mundo? A partir desta segunda-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, vamos publicar uma série de cinco matérias sobre os principais desafios para melhorar o uso de água no planeta. Ao longo da semana, mostraremos que se todos colaborarem, evitando desperdício e ajudando a conservar a água, esse precioso recurso natural nunca vai faltar.

Para começar, falaremos sobre o uso e o desperdício de água no planeta. É urgente a busca por soluções para aproveitar melhor a água. Com o aumento da população, o consumo de água dobrou no último século. Como a água é um recurso limitado – apenas 2,5 por cento de toda água no planeta é doce – se os padrões atuais de consumo não forem alterados, a escassez de água poderá atingir mais de 6 bilhões de pessoas (2/3 da população mundial), em 2050, alerta a ONU.

O acesso a água limpa e segura e ao saneamento básico não são privilégios. São direitos humanos básicos reconhecidos pela Organização das Nações Unidas, desde 2010. Apesar disso, o acesso à água potável ainda é um sonho para quase 700 milhões de pessoas no mundo, especialmente nas áreas rurais. Pelo menos uma em cada quatro pessoas em todo o mundo (1,8 bilhões de pessoas) bebe água contaminada por coliformes fecais.

O consumo de água contaminada causa mais de 500 mil mortes por diarreia a cada ano. Mais do que na guerra da Síria, por exemplo, que em cinco anos de guerra civil teve mais de 400 mil mortos, segundo o jornal The Guardian.

Na América Latina, a água é abundante, porém mal distribuída. 34 milhões de pessoas vivem sem acesso a fontes de água limpa e mais de 70 por cento do esgoto sanitário na região é despejado sem qualquer tratamento nos rios e oceanos, segundo estudo do Banco Mundial. Investir nessa área deve ser visto como prioridade, já que para cada R$ 1 real gasto em ações de saneamento, são economizados R$ 4 na saúde.

E quando o assunto é saúde, com o crescimento desordenado das cidades e o aumento das temperaturas, doenças associadas à falta de saneamento tendem a se tornar mais comuns.

Somente no ano passado, foram registrados mais de 1,3 milhão de casos de dengue e 165 mil pessoas foram infectadas pelo zika vírus, segundo o Ministério da Saúde. Além da eliminação dos criadouros, ampliar a rede de saneamento ajuda a evitar a proliferação dessas e de outras doenças graves como hepatite e diarreia.

A água se tornou mais cara, especialmente por conta de fatores climáticos como secas prolongadas, inundações e de atividades econômicas que demandam muita água, como a agricultura. O combate ao desperdício deve nortear a produção especialmente nesse setor, que é o maior consumidor de água no planeta. Quase 70 por cento de toda a água disponível no mundo é utilizada para irrigação agrícola, segundo a ONU. Apenas 10 por cento desse total seria suficiente para abastecer o dobro da população mundial.

Em todo o mundo, governos, instituições privadas e a sociedade civil precisam estabelecer compromissos para melhorar os recursos hídricos e serviços de saneamento. Além disso, é indispensável desenvolver ações contra o desperdício de água e o reaproveitamento das águas urbanas.

Fórum Mundial da Água no Brasil, em 2018

O Fórum Mundial da Água é um espaço privilegiado para trocar experiências, analisar problemas e buscar soluções relacionadas ao uso consciente da água, em todo o planeta. O evento é um processo de três anos, em que mais de 40 mil pessoas (cidadãos comuns, especialistas, gestores públicos, legisladores e tomadores de decisões) participam de debates pela internet e de eventos preparatórios que ajudam a construir o evento. A participação é aberta a todos por meio da plataforma online: “Sua Voz”.

O Fórum é o maior evento mundial sobre água e busca promover a conscientização, construir compromissos políticos e para aprimorar a gestão e uso eficiente da água com base na sustentabilidade ambiental, para o benefício de toda a vida na terra. Pela primeira vez o Fórum vai ocorrer em um país do Hemisfério Sul. “Compartilhando Água” é o tema central desta edição, que reforça a importância da gestão responsável da água com a colaboração de todos.

O evento será realizado entre os dias 18 e 23 de março de 2018, em Brasília, e cidadãos de todo mundo já começaram as discussões. Seja você também parte da rede de pessoas envolvidas com o tema, participe dessa mudança. Para saber mais, acesse: http://www.worldwaterforum8.org/your-voice.


#WorldWaterForum #SharingWater #FórumMundialdaÁgua #CompartilhandoÁgua #YourVoice #SuaVoz #CompartilheÁgua.

Fonte: Site do 8º Fórum Mundial da Água (aqui)

No Dia Mundial do Meio Ambiente, Presidente do Consórcio PCJ diz que criará força tarefa para revitalizar Ribeirão Quilombo



O Presidente do Consórcio PCJ e prefeito do município de Nova Odessa (SP), Benjamin Bill Vieira de Souza, disse em discurso realizado no auditório da prefeitura nessa segunda-feira, dia cinco de junho, durante evento de comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente, que será montada uma força tarefa entre o Consórcio PCJ, o Consórcio Intermunicipal de Manejo de Resíduos Sólidos (Consimares), Câmaras Municipais e prefeituras por onde passa o Ribeirão Quilombo com o objetivo de revitalizá-lo.

O Ribeirão Quilombo cruza cinco municípios. Ele nasce no município de Campinas, passando por Paulínia, Sumaré, Nova Odessa e terminando no Rio Piracicaba em Americana. Atualmente, está com águas altamente poluídas devido à despejos de esgotos domésticos e industriais, agravados pelo crescimento urbano em seu entorno, o que classifica suas águas como de classe 4, considerada imprópria para qualquer consumo, com uso permitido apenas para navegação e paisagismo.

“Nós vamos entrar numa briga grande para limpar o nosso Ribeirão Quilombo, para que ele volte a ter peixes, como quando eu era menino tive a oportunidade de pescar”, disse o Presidente do Consórcio PCJ.

Bill completou que o Ribeirão teve sua situação agravada de 1984 em diante. “Ele era um curso d’água poluído, mas ainda dava para ser utilizado, portanto, nós queremos a retomada de uma nova realidade para o nosso Ribeirão Quilombo”.

O presidente do Consórcio PCJ destacou os investimentos que estão sendo feitos em Nova Odessa na área de saneamento com o desassoreamento das represas, combate às perdas hídricas e tratamento de esgoto.

Após a abertura oficial, os presentes tiveram as apresentações do secretário executivo do Consimares, Fábio Orsi, que explanou sobre a gestão de resíduos sólidos, e do consultor do Consórcio PCJ, Tiago Georgette, que falou sobre a importância do uso racional da água.

Durante o evento, o Consórcio PCJ distribuiu aos participantes materiais de sensibilização, como o jogo dos sete erros do uso da água e gotas anti estresse, com a mensagem: “E se essa fosse a última gota d’água”.

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Fonte: Consórcio PCJ (aqui)

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Limeira tem redução na morte de bebês

[Publicado originalmente] Gazeta de Limeira – 6/11/2016

Resultado de imagem para redução de mortes infantis

Dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), divulgados nesta semana, mostram que a mortalidade infantil caiu em Limeira. No ano passado, a cidade registrou 35 mortes de crianças menores de um ano. O número de nascidos vivos em 2015 foi 3.577. A taxa de mortalidade, portanto, foi de 9,8 bebês por mil nascidos vivos. Houve queda em relação ao ano anterior, em 2014, quando a taxa foi de 11,4. A Vigilância Epidemioló gica de Limeira, que registra as causas de mortes no Município e analisa por meio do Comitê de Análise de Óbito, considera que a redução foi importante. Amélia Pereira da Silva, coordenadora do setor, explica, por meio de nota, que não há uma taxa definida como razoável para mortalidade infantil, mas o ideal é a redução gradativa. As principais causas da mortalidade infantil em Limeira foram, conforme o Comitê de Análise de Óbito, a prematuridade, malformações e algumas causas externas. Infecção urinária, pressão alta, descolamento prematura de placenta, diabetes, alterações de tireóide, infecções congênitas, uso de bebidas alcoólicas e drogas ilícitas, entre outros, também podem prejudicar.

Para o secretário municipal da Saúde, Alexandre Ferrari, a redução da mortalidade infantil na cidade é reflexo da expansão da atenção básica de saúde, com maior acesso ao pré-natal; ação dos agentes comunitários na identificação de gestantes para início de pré-natal; ampliação das equipes de saúde; incentivo ao aleitamento materno e programa de vacinação. Entre as políticas públicas adotadas para queda deste número, estão a captação precoce das gestantes para início oportuno do acompanhamento médico; Amélia faz parte de Comitê de Análise de Óbito de Limeira e diz que prematuridade é uma das causas garantia de exames de rotina e tratamento oportuno de e HIV; aleitamento materno; Neste ano, de janeiro até ano, sendo que, no mesmo infecções; testagem de to- vacinação e assistência ade- ontem, o comitê registrou 27 período de 2015, foram 30 das as gestantes para sífilis quada ao parto. óbitos em menores de um óbitos.

Fonte: Fundação SEADE (aqui) / Imagem: Internet (aqui)

Nota do editor: e pensar que este processo foi interrompido.

Café Filosófico com Viviane Mosé - Os desafios da educação



O presente vídeo é muito bom para refletir sobre a Educação no Brasil mostrando triste realidade dela.



Ela trata sobre a realidade, enfiando o deda na ferida e mostrando o descaso de muitos com a Educação, e por outro lado, o cuidado desnecessário, onde ao invés de cuidar da qualidade dela, muitos vereadores querem discutir conteúdo, como se isso fosse de competência deles.

Outra crítica é a avaliação do Ensino Médio que é muitas vezes desnecessário para alunos principalmente para classes pouco afeitas à educação.

Uma dúvida que ela coloca: Por que tanta gramática e tão pouca leitura?

Fonte: Canal da Elaine de Matos (aqui)


quinta-feira, 1 de junho de 2017

A incrível história do brasileiro chamado de louco pelos vizinhos por plantar a própria floresta.


Prestes a completar 84 anos, Antonio Vicente orgulha-se de ter plantado a própria floresta

Antonio Vicente era chamado de louco pelos vizinhos. Afinal, quem compraria um pedaço de terra a 200 km de São Paulo para começar a plantar árvores?
"Quando comecei a plantar, as pessoas me diziam: 'você não viverá para comer as frutas, porque essas árvores vão demorar 20 anos para crescer'", conta Vicente ao repórter Gibby Zobel, do programa Outlook, do Serviço Mundial da BBC.
"Eu respondia: 'Vou plantar essas sementes, porque alguém plantou as que estou comendo agora. Vou plantá-las para que outros possam comê-las."
Vicente, prestes a completar 84 anos, comprou seu terreno em 1973, uma época na qual o governo militar oferecia facilidades de crédito para investimentos em tecnologia agrícola, com o objetivo de impulsionar a agricultura. Mas sua ideia era exatamente a oposta.
Criado em uma família numerosa de agricultores, ele via com preocupação como a expansão dos campos destruía as fauna e flora locais, e como a falta de árvores afetava os recursos hídricos. "Quando era criança, os agricultores cortavam as árvores para criar pastagens e pelo carvão. A água secou e nunca voltou", explica.
"Pensei comigo: 'a água é o bem mais valioso, ninguém fabrica água e a população não para de crescer. O que vai acontecer?
Ficaremos sem água. "As florestas são fundamentais para a preservação da água porque absorvem e retém esta matéria prima em suas raízes. Além disso, evitam a erosão do solo.

RECUPERAÇÃO DA FLORESTA

Quando tinha 14 anos, Vicente saiu do campo e passou a trabalhar como ferreiro na cidade. Com o dinheiro da venda de seu negócio, pôde comprar 30 hectares em uma região de planície perto de São Francisco Xavier, distrito de 5 mil habitantes que faz parte de São José dos Campos, no interior de São Paulo.
"A vida na cidade não era fácil", lembra ele. "Acabei tendo de viver debaixo de uma árvore porque não tinha dinheiro para o aluguel.
Tomava banho no rio e vivia debaixo da árvore, cercado de raposas e ratos. Juntei muitas folhas e fiz uma cama, onde dormi", diz Vicente.
"Mas nunca passei fome. Comia sanduíches de banana no café da manhã, almoço e jantar", acrescenta. Após retornar ao campo, começou a plantar, uma por uma, cada uma das árvores que hoje formam a floresta úmida tropical com cerca de 50 mil unidades.

NADANDO CONTRA A CORRENTE

Vicente nadava contra a corrente: durante os últimos 30 anos, em que se dedicou a reflorestar sua propriedade, cerca de 183 mil hectares de mata atlântica no Estado de São Paulo foram desflorestados para dar lugar à agricultura.
Segundo a Fundação Mata Atlântica SOS e o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a mata atlântica cobria originalmente 69% do Estado de São Paulo. Hoje, a proporção caiu para 14%.
E, ainda que esteja distante do pico de 2004, quando 27 mil hectares foram destruídos, o ritmo de desmatamento voltou a aumentar.
Entre agosto de 2015 e julho de 2016, por exemplo, foram destruídos 8 mil hectares de floresta uma alta de 29% em relação ao ano anterior e o nível mais elevado desde 2008, segundo dados do Inpe.

ANIMAIS E ÁGUA

Um quadro pendurado na parede da casa de Vicente serve de lembrança das mudanças que ele conseguiu com seu próprio esforço. "Em 1973, não havia nada aqui, como você pode ver. Tudo era pastagem. Minha casa é a mais bonita de toda essa região, mas hoje não se pode tirar uma foto desse ângulo porque as árvores a encobrem, porque estão muito grandes", brinca Vicente.
Com o replantio, muitos animais reapareceram. "Há tucanos, todo tipo de aves, pacas, esquilos, lagartos, gambás e, inclusive, javalis",
enumera. "Temos também uma onça pequena e uma jaguatirica, que come todas as galinhas", ri. O mais importante, contudo, é que os cursos de água também voltaram a brotar.
Quando Vicente comprou o terreno, só havia uma fonte. Agora, há cerca de 20.

Castanheira foi a primeira árvore plantada por Vicente


Fonte: Folha de São Paulo (aqui)

Nota do editor: Quem dera tivéssemos muitos mais loucos como o senhor Antonio Vicente. A humanidade agradece a esses doidos.

Isenção de imposto no Paraná ajuda donos de imóveis a preservar floresta


Mata em Pé

O intenso pio das corujas foi o que mais impressionou o arquiteto Osvaldo Navaro Alves, 72. "É o som da floresta", diz, ao lembrar das primeiras noites na sua casa rodeada de mata atlântica, sob o olhar de jacus e tucanos.
Mas Navaro não está distante da cidade –ao contrário. Está bem no meio dela, em um bairro residencial de Curitiba, considerada referência em preservação da mata.
A cidade é famosa pelos parques e bosques públicos, que são 53. A área verde cobre 25% da área total do município –e, na década de 1990, lhe rendeu o apelido de "capital ecológica".
Na última década, Curitiba voltou a inovar: criou as reservas particulares municipais de floresta, como a propriedade de Navaro, que têm benefícios para preservar os bosques nativos.
Os moradores ganham isenção de IPTU e títulos de potencial construtivo, uma "moeda" inventada em Curitiva e prevista no Estatuto das Cidades, de 2001.
Como forma de estimular sua preservação, algumas propriedades estratégicas –casas históricas ou imóveis rodeados de mata nativa–ganham um título negociado e vendido a construtoras que queiram aumentar a área construída em outras regiões. Há um limite de aumento definido no plano diretor.
"A gente preserva por amor. Mas o amor é relativo: se não for um bom negócio, a maioria não faz", diz Navaro, que vive há quase 40 anos na sua reserva.
Hoje, há 17 RPPNs (Reservas Particulares do Patrimônio Natural) municipais –no Brasil inteiro, são 37. Curitiba tem quase a metade delas.
As áreas funcionam como "uma fábrica de serviços" para a cidade. "Uma fábrica de ar puro, de umidade, de controle da temperatura, que filtra a poluição, preserva as nascentes", explica a bióloga Betina Bruel, da SPVS (Sociedade de Proteção à Vida Selvagem), que participou de um mapeamento para identificar potenciais reservas.
Das áreas verdes do município, cerca de 75% estão em propriedades privadas. Daí a importância de estimular sua preservação, defende Bruel.

PRESSÕES

A cidade tem o mérito de manter a política de preservação ao longo de diferentes gestões.
"Há uma memória coletiva; os pinheiros são preservados por cultura, por reverência", diz o prefeito Rafael Greca (PMN). Ele lembra de campanhas de educação ambiental como a "Família Folha", que incentivava a reciclagem do lixo, e que, para ele, formaram gerações e mantiveram a população
alerta. "Quando as pessoas se apropriam da ideia, não há partido nem política que mude. Porque a coisa vem de baixo para cima", comenta o secretário do Meio Ambiente, Sergio Tocchio.

Mesmo em Curitiba, porém, as áreas verdes sofrem pressões –em especial, a imobiliária.
"Aqui é a cereja do bolo", diz Terezinha Vareschi, 64, dona de uma área verde no bairro de Santa Felicidade. "Se eu tivesse vendido, estava com minha vida resolvida."
Muitos dos proprietários de florestas remanescentes em Curitiba são de classe média e vivem há gerações numa área de valor milionário, mas sem recursos para mantê-la.
Assim, sucumbem à oferta das construtoras, que põem a mata abaixo.
Para eles, é necessário estimular a criação das RPPNs, que ainda sofrem com a burocracia e com ameaças constantes de retrocessos, devido à pressão econômica.
A prefeitura diz estar "vigilante" e promete melhorar os mecanismos de compensação aos proprietários. "É uma vacina às pressões imobiliária e política", diz Tocchio.
No mês que vem, mais duas reservas particulares vão sair do papel, e outras 19 estão em processo de criação.

Fonte: Folha de São Paulo (aqui)